O rubor na face desfaz qualquer dúvida que pudesse haver. A oportunidade faz o ladrão, literalmente. Como se fosse uma vento que entra por uma janela aberta, assim entra a mão curiosa na carteira aberta, na mesa discreta ao canto da sala. O inesperado não é tanto o roubo, mas a chegada de alguém sorrateiramente como se envolto numa aura de mistério distraído.
"- Estava a enxotar uma mosca, daquelas que fazem um zumbido irritante, está a ver..."
"- Estou, estou.... muito irritante mesmo." Palavras silenciosas não pronunciadas, pensadas, desvendadas nos olhares. "- Sabe, no outro dia, a propósito de nada, a Ana da contabilidade estava a queixar-se que lhe parecia que lhe faltava uma caneta. Deixou-a em cima da mesa e de repente, não estava lá."
"-A caneta? Uma caneta?! Ela falou numa caneta ao almoço..."
"- Pois, pois.... Ah, viu a minha agenda? Não a vejo faz dias... "
"- EU? Não, claro que não."
"- Faz-me falta... Bom, ao trabalho Fonseca, ao trabalho..."